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O país que provou que é possível crescer sem desmatar

Você já imaginou um país que consegue proteger suas florestas sem travar a economia? A Noruega mostrou que isso é possível. Com leis ambientais rígidas, manejo florestal responsável e uma política histórica de desmatamento zero, o país reduziu praticamente a zero sua contribuição para a destruição das florestas — dentro e fora do seu território.

Redação C3 TV

9 de janeiro de 2026 às 18:18:09

Como a Noruega se tornou referência mundial em desmatamento zero

A Noruega é frequentemente citada como o primeiro país do mundo a alcançar — e, principalmente, adotar oficialmente — uma política de desmatamento zero. Esse reconhecimento não se deve a uma única lei ou ação isolada, mas a um conjunto de decisões políticas, econômicas e ambientais construídas ao longo de décadas.

Mais do que preservar suas próprias florestas, a Noruega decidiu não contribuir para o desmatamento em nenhuma parte do mundo, tornando-se um exemplo global de responsabilidade ambiental.

 

O que significa “desmatamento zero” no caso da Noruega?

É importante esclarecer um ponto central:
desmatamento zero não significa proibição total do corte de árvores.

Na Noruega, o conceito significa que:

 

  • Não há perda líquida de área florestal
  • Toda exploração madeireira é controlada, planejada e compensada
  • O Estado não compra nem financia produtos ligados ao desmatamento, mesmo quando isso ocorre fora do país

 

Ou seja, trata-se de um modelo de manejo sustentável aliado a políticas econômicas restritivas.

 

1. Leis ambientais rígidas e de longo prazo

 

A proteção florestal na Noruega não começou recentemente. O país construiu, ao longo de décadas, um sistema legal sólido que determina que:

 

  • O corte de árvores só ocorre com licenciamento e plano de manejo
  • O reflorestamento é obrigatório
  • Há fiscalização constante e penalidades severas para irregularidades

 

Esse modelo impede a exploração predatória e garante a renovação contínua das florestas.

 

2. Saldo florestal positivo

 

Um dos dados mais relevantes é que a Noruega:

  • Planta mais árvores do que derruba
  • Mantém crescimento contínuo da cobertura florestal
  • Utiliza a madeira como recurso econômico sem comprometer o ecossistema

Hoje, a área florestal norueguesa é maior do que era há cerca de 100 anos, um feito raro entre países industrializados.

 

3. A política histórica de desmatamento zero (2016)

Em 2016, a Noruega deu um passo inédito no cenário global:
o Parlamento aprovou uma política que determina que compras públicas e contratos governamentais não podem estar ligados ao desmatamento.

Isso afeta diretamente commodities como:

 

  • Soja
  • Carne bovina
  • Óleo de palma
  • Madeira e papel

 

Mesmo quando esses produtos são importados, os fornecedores precisam comprovar que não contribuem para a destruição de florestas.

 

Esse foi o ponto que colocou a Noruega como pioneira mundial.

 

4. Pressão econômica como ferramenta ambiental

A Noruega entendeu que o poder de compra do Estado é uma ferramenta climática.

Na prática:

  • Empresas que desejam contratos públicos precisam comprovar cadeias produtivas sustentáveis
  • Fornecedores são pressionados a rastrear a origem de seus produtos
  • O impacto vai além das fronteiras nacionais, influenciando mercados globais

Essa abordagem transformou a política ambiental em estratégia econômica.

 

5. Investimentos internacionais em florestas tropicais

Além das ações internas, a Noruega se tornou um dos maiores financiadores globais da conservação de florestas, especialmente em países tropicais.

O país investe bilhões de dólares em:

  • Programas de redução do desmatamento
  • Proteção da biodiversidade
  • Apoio a comunidades tradicionais e povos indígenas
  • Fundos internacionais voltados à manutenção das florestas em pé

 

Essa estratégia reconhece que o clima é um problema global, e que proteger florestas tropicais é essencial para o planeta.

 

Resultados e impacto global

Com esse conjunto de medidas, a Noruega:

  • Reduziu praticamente a zero sua contribuição direta e indireta para o desmatamento
  • Tornou-se referência em políticas públicas ambientais
  • Influenciou legislações e compromissos internacionais
  • Mostrou que desenvolvimento econômico pode coexistir com proteção ambiental

 

Uma lição para o mundo

O caso norueguês prova que o desmatamento não é inevitável.
Ele é resultado de decisões políticas, econômicas e regulatórias.

A Noruega escolheu:

 

  • Planejamento de longo prazo
  • Responsabilidade global
  • Uso do poder econômico como instrumento ambiental

A pergunta que permanece não é técnica, mas política:
se um país conseguiu, por que tantos outros ainda não seguiram o mesmo caminho?

 

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